flor da cana do brejo

segunda-feira, 18 de março de 2013

POEMAS PARA PEDRO - MEU AMOR (Primeiro Livro)

Quando ando pela PUC
Entre as árvores que estudastes
Vou recitando poemas
Como se nós conversássemos

O que te digo se esvai
Na lembrança da memória
Fraca como as minhas forças
Para suportar tantas dores

Sento nos bancos, respiro
Aspiro os teus estudos
Vejo os jovens seguindo
Cada um no seu mundo

Inutilmente pensavas
Que tinhas muitos amigos
Eles seguem a vida deles
Cada um com o seu umbigo

Só eu guardo tua vela
E o perfume dos jasmins
Se a eternidade existe
É porque ainda vives em mim


Solar Grandjean de Montigny
PUC - Rio de Janeiro
Foto: Lúcia Gomes



domingo, 23 de dezembro de 2012

A CASA DOS MEUS SONHOS



Foto: Vitoria Mitisuyo Wada

Na casa dos meus sonhos:
três filhos e um cachorro.

Eu trabalhando diante de um jardim,
vigiando as crianças vindas de mim.

O tempo correndo único.

Pausa, se havia,
lápis parado no ar:

um projeto a desenhar,
um poema a escrever,
uma historia a contar.

Tudo se resumia
na maneira de olhar.

Eu bordava o futuro,
acreditando no meu tear.


(do livro - "O OLHAR AZUL DE PEDRO")



sexta-feira, 30 de março de 2012

POEMAS PARA PEDRO - MEU AMOR - Primeiro Livro




Ninho da sabiá na árvore do nosso quintal
Foto:   Lúcia Gomes
Penso que a vida
às vezes
se esvazia de sentido
e assim...
água no ralo
se esvai
no precipício

talvez seja
o início
o pio triste
da ave
na solidão do ninho


                                                                                       

                                                                                  

                                                                                   


POEMAS PARA PEDRO - MEU AMOR - Teceiro livro

Meu amor se debruça na janela
para sentir o perfume do quarto
a espalhar o teu cheiro
pelas plantas, flores, matos.

E se volto o olhar para dentro
a procurar-te na cama,
meu olhos águam o jardim
pois só te encontro em mim.


A quaresmeira do nosso quintal
Eu plantei a árvore em frente a janela do teu quarto, como pediste
Foto: Lúcia Gomes

Eu te amo, meu Pedro

quinta-feira, 22 de março de 2012

POEMAS PARA PEDRO - MEU AMOR - Primeiro Livro

O outono chegou, meu amor.
Pétalas de quaresmeira
Foto: Lúcia Gomes
As folhas cobrem o quintal
As flores de maio floriram,
devem achar o ideal

Não nasci para este mundo
de rancores e de dores,
onde as serpentes rastejam,
incomodam-me com rumores

Não sei se sou a dona
do amor  a do amar,
como escrevestes em versos,
querendo de mim falar

Fico feliz em saber
que você se sentia amado,
desde criança falavas
ser meu menino adorado

"O Senhor deu-me a língua adestrada
para que eu saiba dizer" (Is 50, 4-7)
Creia, gosto de falar
do meu amor por você

Hoje meu corpo é um altar
dia e noite a rezar.
Tens as chaves do céu:
abre a porta para eu entrar



domingo, 18 de março de 2012

POEMAS PARA PEDRO - MEU AMOR - Primeiro Livro

Eu não canto porque o instante existe
Samambaias na árvore do quintal

Foto: Lúcia Gomes
Não canto porque não sou pássaro
Sou uma ave perdida
Batendo de galho em galho

Minha vida incompleta
Minha vida interrompida
A tempestade e suas águas
Desmantelando o meu ninho

Não sou alegre, sou triste 
E se ainda escrevo versos
É para tornar eterno
Meu amor pelo Poeta

A noite orvalha as folhas
O frio veste casacos
Eu tento colar os cacos
Do meu corpo alquebrado

Faço um colar de contas
E conto todos os dias
Meus momentos, meus instantes
Para encontrar meu menino

Lembro de uma rolinha
Que debaixo do temporal
Não abandonou o filhote
Na árvore do meu quintal

Um dia não mais a vi
Encontrei o filhote morto
Deixei-o quieto, deitado
Ela no muro espiava
 
Recolhi-me no meu quarto
Na minha solidão calada
Procuro o rumo da ave
Para que possa guiar-me


POEMAS PARA PEDRO - MEU AMOR - Primeiro Livro



Foto:  Pedro Gomes


A chuva lá do quintal
Traz um pouco da incerteza
Não das águas que são bênçãos
Da amiga natureza

Nem do barulho que faz
Escorrendo sobre as folhas
Mas são as janelas fechadas
Ocultando o adiante

Gosto de olhar para fora
Os pássaros no seu voo
As flores que desabrocham
No leva e trás desse pouso

As portas ficam trancadas
Para os pingos não respingarem
Sinto-me enclausurada
Como a alma aprisonada

Então abro o caderno
Pego o lápis, as lembranças
E transformo a minha dor
Numa vida de esperança

Deixo aos versos seu destino
Sou instrumento, não interfiro
Eles que façam a jornada
Da minha vida roubada