flor da cana do brejo
sexta-feira, 31 de julho de 2026
GUARDADOS ANTIGOS
Mais um domingo Vazio,
sonolento, apático
Sem forças para
chegar À praça mais próxima
Noutros tempos,
dia de missa
A mãe a levar-nos
arrastadas..
O véu nas cabeças,
O latim ininteligível
no missal guardado.
Espio as
horas de sol:
Tão belas, tão breves,
Desolada na finitude de tudo,
Sem enxergar
o horizonte
Necessito de tuas mãos,
úmidas, leves,
para aguar a terra seca,
sem sementes,
da minha alma.
Sorrisos levados pelo vento.
Noutros tempos:
Flagrantes divertidos,
escondidos em momentos.
Quando o pássaro azul
cingiu o céu
até um oásis me foi negado
no meio do deserto.
Me vejo
Te vejo
Nos vejo...
A rir de nós mesmos.
Porque dois não dá um.
Tu és para sempre a minha pátria renegada
E e eu serei sempre a tua.
(Lúcia Gomes - direitos reservados - do livro 0 Azul dos
Teus Olhos)
(30/07/2008)
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